Mount Saint Helens via Monitor Ridge: Dicas para Escalar

Em julho de 2018 (nossa, o tempo voa), realizei o sonho de escalar o Mount Saint Helens. Foi uma das trilhas mais incríveis que já fiz: estava rodeada de pessoas maravilhosas, o sol brilhou o tempo todo e a paisagem (ah, a paisagem!) é de cair o queixo.

Turma querida no início da trilha


Sobre o Mount Saint Helens

O Mount Saint Helens, localizado no sul do estado de Washington, é um dos ícones do Pacific Northwest. O vulcão faz parte da cadeia de montanhas Cascade e fica a cerca de 300 quilômetros de Seattle.

Famoso pela sua enorme cratera, resultado da erupção que ocorreu em maio de 1980, o Mount Saint Helens encanta tanto pela sua capacidade de abrigar vida nova, quanto pelo seu poder de destruição. É-muito-incrível!

Cratera do Mount Saint Helens e o Mount Rainier ao fundo. <3

Antes da erupção, o vulcão era o quinto pico mais alto do estado de Washington. Atualmente, ele não está nem entre os cinquenta! A erupção transformou a montanha e toda a paisagem ao seu redor.


Permissão para escalar

Com o objetivo de preservar a natureza, o sistema de parques limita a quantidade de pessoas no Mount Saint Helens (entre 1º de abril e 31 de outubro). Por isso, é preciso de uma permissão para escalar. A permissão é solicitada online e pode ser obtida individualmente ou para grupos de até 12 pessoas.

Os finais de semana de julho e agosto são os mais populares, pois a probabilidade de ter sol (e de não ter neve) é bem maior! Claaaaaro que as permissões para esses dias terminam em poucas horas. Tem que ser rápido – igual a show de banda famosa, hahaha.

Geralmente, a venda começa em fevereiro ou março, mas é sempre bom confirmar no site!


Como é a trilha

Difícil! Apesar de não ser uma escalada técnica, tem que estar preparado fisicamente, ter experiência em hikings e ser prudente.

Nós fizemos a rota chamada Monitor Ridge, que é a trilha de verão – aberta entre junho e outubro, dependendo das condições da neve. Por isso, minhas dicas são todas focadas nessa rota, ok?

  • Mount Saint Helens via Monitor Ridge
  • Distancia total: 9,4 milhas (15 km)
  • Ganho de elevação: 4465 pés (1,36 km)

A primeira parte do hiking é em uma floresta de mata fechada, com pouco de ganho de elevação. Depois de caminhar aproximadamente 3,5 km, a floresta termina e ali começa a área restrita para quem tem permissão de escalar.

Mount Saint Helens

Adri e eu, bem no início da parte com pedras – foto: Marta Nobrega

Ao chegar nessa área, chamada Monitor Ridge, a trilha fica cada vez mais difícil, devido ao ganho de elevação e às pedras. Nós subimos devagar, parando para água e lanches, então foi bem tranquilo.

Mount Saint Helens

Adri, Thales e Flu sensualizando nas pedras :P – foto: Marta Nobrega

Depois de aproximadamente 1 km de subida, chegamos no primeiro monitor sísmico, que como o nome já diz, serve para monitorar a atividade sísmica do vulcão. Mais 1,5 km de subida até o segundo monitor e logo as pedras terminam.

O último quilômetro é sem dúvida a parte mais difícil, pois o terreno é bem íngreme e de areia fofa. Mas o esforço vale a pena!

Mount Saint Helens

Aqui é onde começa a parte de areia. Nessa foto dá para ver como o terreno é íngreme.

Nós demoramos quase 12 horas para completar a escalada (ida e volta). Por isso, é bom começar beeeeem cedo (começamos às 5:00).

Na maior parte da trilha não há sombra – então é super importante estar preparado para o sol e o calor, principalmente na volta.

Mount Adams

Mount Adams visto do topo do Mount Saint Helens

 Mt Saint Helens

Nossa turma andando no topo do Mt Saint Helens

Para deixar vocês doidos para fazer esse hike, aqui vai o vídeo feito pela Adri (Insta: @aradu) com os melhores momentos. Bateu uma saudade, sabem? <3


Onde ficar

Como a viagem de Seattle para o Mount Saint Helens demora em torno de 3 horas, recomendo dormir lá perto, tanto na noite anterior quanto na noite após o hiking. Nós ficamos numa cidade chamada Cougar, em uma dessas cabanas. Super simples, mas quebrou o galho.


O que vestir

A resposta simples seria: botas de hiking (de preferência de cano alto), meias, calças de hiking, camiseta ou camisa de hiking (se tiver fator de proteção solar, ótimo!), boné ou chapéu e óculos de sol.

Porém, quando falamos em montanhas, o ideal é sempre usar/levar camadas. Claro que tudo depende de como estará a temperatura no dia da sua escalada. Mas, geralmente, experienciamos pelo menos duas estações em hikings com bastante ganho de altitude e com muitas horas de duração.

No nosso caso: começamos às 5:00 com a temperatura em torno 17 ou 18 graus. Com o passar das horas, esquentou e ficamos mais expostos ao sol. Ao mesmo tempo, a temperatura baixou com o ganho de altitude. Resumo da ópera, foi um tira e bota de camadas. :P

Foto: Adri Raduenz (Insta: @aradu)

Comecei a trilha de calças, camiseta de mangas curtas e uma camisa de mangas compridas por cima. Logo tirei a camisa e fiquei só de camiseta. Quando chegamos no pico e paramos para lanchar, coloquei um fleece e um casaco de plumas de ganso!

Importante: NÃO USE ROUPAS DE ALGODÃO em nenhuma das camadas (nem as meias, ok?).


O que levar na mochila

  • Alimentação: leve comida e água de sobra. É preciso pelo menos 3 ou 4 litros de água por pessoa. Sugiro levar sanduíches e alguns lanches (barrinha de cereal, castanhas, frutas secas, etc).
  • Roupas (extras) e acessórios: casaco de chuva, calça de chuva, meias extras, luvas, gorro, blusa de mangas compridas e um casaco bem quente e leve. Caso você não comece a trila usando boné e óculos de sol, lembre de levar.
  • Outros itens essenciais: filtro solar, repelente, lanterna, itens de primeiros socorros, fósforo à prova d’água ou isqueiro, canivete suíço, abrigo de emergência (manta térmica), sacos de lixo extras.
  • Itens de segurança e bem-estar: como pode ter neve nas partes mais altas, leve também micro spikes! Hiking poles também são bem-vindos, já que a descida é íngreme.

Lembre-se que fazer a mochila corretamente é super importante para a sua segurança. Não adianta economizar no peso e depois passar perrengue, hein?


Outras dicas:
– Acompanhe a previsão do tempo na semana da sua escalada. Se a previsão for de chuva (tomara que não!), não vale a pena subir.
– Veja se tem neve na trilha. Se ainda tiver muita neve, talvez seja preciso fazer um pouco de escalada técnica, então só encare se for experiente. O site do WTA é uma ótima opção para verificar as condições da trilha.
– Vá em grupo. Por segurança, o ideal é ir em um grupo de pelo menos 3 pessoas.
– Baixe o mapa da trilha no Gaia App e leve bateria extra para o telefone. Lá não pega sinal de celular, mas é bom ter bateria para usar o mapa.
– O clima no vulcão é super seco. Além de levar muita água, recomendo hidratar-se bem no dia anterior. Tome em torno de 3 litros de água para garantir uma boa hidratação e evite bebidas diuréticas.


E você, está planejando escalar o Mount Saint Helens também? Conta pra mim! :D

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Sobre a Blogueira

Camila Picolli

Sou Camila Picolli, publicitária, gaúcha e moro em Seattle desde 2011...mais →

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